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​O início de 2026 traz um alerta estratégico para a balança comercial do agronegócio brasileiro: a consolidação do Irã como o destino de 23% das exportações nacionais de milho. Embora o volume demonstre a competitividade da nossa produção e a fidelidade de um parceiro robusto, essa concentração acende luzes amarelas sobre os riscos geopolíticos inerentes a uma das regiões mais sensíveis do globo.
​A dependência é mútua e complexa. Para o Irã, o Brasil é o fornecedor vital para sustentar sua indústria de proteína animal, especialmente diante de limitações hídricas severas que impedem a autossuficiência no Oriente Médio. Para o Brasil, o mercado iraniano garante uma vazão constante para o excedente da safrinha. No entanto, em um mercado globalizado, os riscos não terminam na porteira, nem nos portos brasileiros.
​O grande gargalo é logístico. Quase a totalidade do milho brasileiro desembarca no Porto de Bandar Imam Khomeini, cuja rota passa obrigatoriamente pelo Estreito de Ormuz. Em 2026, a persistência de tensões no Mar Vermelho e as flutuações diplomáticas regionais tornam o custo do seguro e do frete marítimo variáveis extremamente voláteis. Qualquer interrupção no fluxo de navegação no Golfo Pérsico tem o potencial de represar, em solo brasileiro, quase um quarto do milho destinado ao mercado externo.
​Para o produtor, o impacto de uma eventual crise no Oriente Médio seria imediato. Uma suspensão temporária de embarques causaria um excesso de oferta instantâneo no mercado interno, pressionando os preços para baixo e comprometendo a rentabilidade de toda a cadeia produtiva.
​Diante deste cenário, o ano exige do setor uma visão que vá além da produtividade. A diversificação de mercados — intensificando laços com o Sudeste Asiático e consolidando a abertura do mercado chinês — torna-se uma estratégia de segurança econômica. A soberania do campo brasileiro depende, cada vez mais, da nossa capacidade de diluir riscos e monitorar o tabuleiro geopolítico mundial com a mesma precisão com que monitoramos o clima.
​A eficiência da safra agora depende, também, da estabilidade do outro lado do mundo.
​#Milho #Agronegócio #Geopolítica #Exportação #Agro2026 MercadoGlobal

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exportação, agro2026, milho, geopolítica, agronegócio

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