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US$ 39 trilhões de dívida.

US$ 1 trilhão por ano só em juros.

US$ 12 trilhões para rolar nos próximos 18 meses.

Esse é o problema central da dívida americana hoje.

O mercado costuma olhar para o tamanho da dívida, mas o risco mais importante está no calendário. A dívida não vence toda de uma vez. Ela vence em blocos. E quando esses blocos chegam, o Tesouro precisa refinanciar.

A parte emitida em juros baixos durante a era COVID agora volta para o mercado em outro mundo.

Antes, o governo rolava dívida a 0%, 1%, 2%.

Agora precisa rolar a 4%, 5%.

A conta muda inteira.

O Japão ainda é o maior credor estrangeiro dos EUA, com mais de US$ 1 trilhão em Treasuries. Só que o Japão também está sob pressão. Quando o USDJPY ameaça romper 160, o BOJ intervém para defender o yen. Para vender dólar, precisa ter dólar. E uma das fontes é Treasury americano.

Ou seja, o maior credor estrangeiro dos EUA pode virar vendedor sempre que precisar defender a própria moeda.

A China também reduziu posição. Caiu para o menor nível desde 2008 e trocou parte desse estoque por ouro.

Ao mesmo tempo, a fatia estrangeira na dívida americana caiu. Em 2014, investidores estrangeiros detinham perto de 50% da dívida pública dos EUA. Hoje, algo perto de 30%.

A pergunta fica simples.

Se o estoque cresce, se a rolagem acelera, se os juros estão mais altos e se o comprador estrangeiro está saindo, quem absorve a próxima leva?

O comprador doméstico já carregou boa parte disso. Money market funds, fundos de pensão, bancos, famílias, seguradoras.

Mas comprador doméstico também tem limite.

E o CBO projeta mais US$ 26 trilhões de emissão até 2036.

A saída matemática é feia.

O Fed pode voltar para QE pesado e comprar o que o mercado não quiser. Isso segura yield, mas enfraquece dólar e reabre o problema inflacionário.

O Tesouro pode deixar os yields subirem até aparecer comprador. Isso pressiona equity, crédito, consumo, déficit e custo de rolagem.

Ou os EUA tentam empurrar parte da conta para aliados, com acordos, incentivos, pressão política e engenharia financeira.

Nenhuma saída é limpa.

#quanr #eua #dolar #trump #dívidaEUA

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