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Hoje cedo o BC tentou colocar verniz técnico numa decisão que continua difícil de defender.

No último Copom, cortaram a Selic pela terceira vez seguida, para 14,25%, mesmo com a inflação acima do teto, projeções voltando a subir e risco inflacionário ficando mais torto para o lado errado. A ata reconheceu isso pela primeira vez de forma mais clara: o risco para a inflação está assimétrico para cima.

Ou seja: o próprio Banco Central admite que a chance maior é a inflação surpreender para cima. E, ainda assim, escolheu cortar juros.

A explicação foi empurrar o horizonte para o fim de 2027 e dizer que a trajetória de juros já estava em linha com o que o mercado esperava, como se a função do BC fosse não gerar ruído na curva, e não entregar inflação na meta. Esse é o ponto que incomoda. Quando a autoridade monetária precisa alongar o prazo da convergência para fazer a decisão caber no discurso, não é só política monetária. É credibilidade sendo gasta.

A ponta curta até aceitou a ata sem grande estresse porque o comunicado da semana passada já tinha entregado a direção. O mercado já tinha entendido que o BC estava mais dovish. Mas o problema não está só na próxima reunião. O problema está na mensagem maior: o Brasil está cortando juros com inflação pressionada, fiscal aberto e prêmio de risco ainda alto.

Selic menor não significa necessariamente dinheiro mais barato. Significa apenas que o BC está baixando a taxa curta. O resto da curva responde a outra pergunta: quanto o mercado exige para financiar um país que gasta demais, ajusta de menos e agora parece mais disposto a tolerar inflação acima da meta por mais tempo?

Essa é a contradição brasileira do momento. O BC tenta afrouxar. O fiscal continua pressionando. A inflação não dá conforto. E a curva cobra a conta.

No fim, a ata não trouxe pânico porque não surpreendeu. Mas também não trouxe confiança. Ela só confirmou o que o mercado já estava percebendo: o Banco Central está escolhendo comprar tempo.

E tempo, em país sem âncora fiscal, costuma ser o ativo mais caro da prateleira.

#quant #copom #bcb #juros #daytrade

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daytrade, juros, quant, bcb, copom

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