'Nem toda desconstrução é desilusão', por Domingas Alvim. Às vezes sinto que as pessoas resistem muito a se descontruírem. Acham que estão se perdendo de si mesmas. E, de fato, estão. Porque, no fundo, amadurecer é sempre uma forma de se permitir morrer. Morrer para um passado, para um jeito de ser que já não te representa mais. Então, desconstruir-se é, sim, deixar cair os véus de algumas fantasias, de algumas ilusões que, no passado, te enchiam os olhos, mas, hoje, já não. Desconstruir-se é permitir-se adaptar-se ao novo você que surge a cada novo dia. Se por um lado se dá uma perda, por outro, abre-se espaço para um grande ganho: o ganho da reconstrução. Se você estiver vivendo esse processo, não se preocupe, você está aprendendo a deixar-se partir para deixar-se renascer. E isso é lindo e muito emocionante. Abrir-se à vida é também abrir-se à morte. À morte de quem fomos e de quem já não somos mais. Viver é o mais lindo processo de recriação. E recriar-se não precisa ter o peso do ...
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