Nas trilhas do tempo, caminhei,
Botas velhas, meus pés vestiram,
Em cada passo, histórias colecionei,
Sob suas solas, sonhos se construíram.
Não são meras botas, mas cálices sagrados,
De suor, terra e águas de rios atravessados,
Testemunhas silenciosas de sorrisos e cansaços,
Marcas e arranhões, em seus couros, entalhados.
Elas conheceram o amanhecer de lugares distantes,
E o crepúsculo, onde o céu e o mar se encontram,
Levaram-me onde a alma dança livre,
E no retorno, à quietude do lar me remetem.
Ah, botas velhas, guardiãs das minhas andanças,
Com vocês, o mundo sempre foi um convite, uma esperança,
Cada rasgo, um conto, uma memória eternizada,
Em vocês, minha vida, em passos, está narrada.
Agora, quietas, repousam, missão cumprida,
Mas em cada vinco, uma vida compartilhada,
Rubem Alves sorriria se conhecesse suas histórias.
~ Roldan
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