Quando criança, aos dez anos, minha mãe me impôs uma disciplina curiosa: dois livros por mês. E não bastava ler, era preciso explicar, traduzir em palavras o que havia compreendido (elaborar uma resenha).
Na época, confesso, parecia-me enfadonho, quase punitivo. Eu não entendia que estava sendo iniciada em algo muito maior que um hábito.
Os livros são a tecnologia mais revolucionária que a humanidade já criou.
Antes deles, o conhecimento morria com as pessoas. Cada sábio que partia levava consigo sua experiência, e o mundo precisava recomeçar, tropeçar nas mesmas pedras, reaprender o fogo.
A escrita mudou isso radicalmente.Ela foi o primeiro ensino à distância que existiu, a primeira forma de vencer o tempo e o espaço.
Quando abro um livro, converso com Montaigne no século XVI, caminho com Clarice pelas ruas do Rio, aprendo com Sêneca sobre o que é ser humano. Acesso mentes que nunca conhecerei, que talvez nem existam mais neste plano, mas que deixaram suas sinapses impressas no...
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