Conviver com quem não sente o que causa é uma das experiências mais silenciosamente violentas nas relações.
Na psicanálise, isso aparece como falha de reconhecimento. O sujeito fala, age, invade, agride, se ausenta… mas não se implica. Não liga o próprio ato ao efeito que produz no outro. É como se a dor nunca tivesse endereço de retorno.
Quem está do outro lado começa a duvidar de si. “Será que estou exagerando?” “Será que sou sensível demais?” Aos poucos, a pessoa que sente vira a “problemática” da relação, justamente porque é a única que sustenta a consciência emocional do vínculo.
Muitas vezes a terapia não começa para mudar quem fere. Começa para fortalecer quem sente. Para reconstruir limites, recuperar a própria percepção e parar de negociar o que machuca.
A análise não ensina a endurecer. Ensina a não se abandonar para continuar pertencendo.
Se você mora fora do Brasil e vive relações onde só você se responsabiliza pelo que sente, talvez o trabalho não seja explicar melhor...
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