Na psicanálise, a autoimagem não nasce pronta. Ela se constrói no espelho do olhar materno.
É pelo modo como a mãe olha, toca, nomeia e responde à criança que o sujeito começa a formar a ideia de quem é.
Quando a mãe carrega feridas profundas na própria autoestima, isso pode aparecer de forma silenciosa. Às vezes como crítica excessiva, outras como ausência, controle ou idealização. A criança aprende sobre si antes mesmo de ter palavras. Aprende pelo afeto.
Isso não significa culpa da mãe, mas transmissão psíquica. O que não foi elaborado tende a ser passado adiante. A psicanálise não busca acusar, mas compreender. E compreender é o primeiro passo para interromper repetições e construir uma imagem de si que não dependa apenas do olhar do outro.
Na análise, o sujeito pode ressignificar esse espelho. Passa a se ver para além das marcas herdadas e a construir uma autoestima própria, mais real e menos ferida.
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