No Carnaval da Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, a homenagem ao presidente Lula ganhou destaque. Porém, uma das alegorias chamou atenção de forma negativa: latas em conserva com imagens representando famílias conservadoras, em tom de zombaria. Independentemente de posicionamento político, tratar um grupo de brasileiros como algo “enlatado” ou ultrapassado não contribui para o respeito nem para o diálogo democrático.
A crítica e a arte têm seu espaço no carnaval, mas a pergunta que fica é sobre coerência: haveria a mesma ousadia se a representação envolvesse outras religiões ou grupos, como muçulmanos? Democracia pressupõe liberdade de expressão, mas também exige responsabilidade e tratamento igual para todos. Quando a provocação escolhe alvos específicos e evita outros, o debate deixa de ser artístico e passa a soar seletivo.
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