Para quem gosta de saber sobre a construção das músicas.
Na música “Queda”, usei o prefixo “des” pra falar da queda como ruptura.
Não só a queda do Éden, mas a queda de cada um de nós.
A queda da comunhão, da pertença, do humano.
Desigrejados. Desrebanhados. Desagregados. Sós.
Desunidos. Destituídos. Destruídos. Pó.
Não coloquei verbos aí de propósito.
É uma sequência de estados, não de ações.
Porque a queda não se move
ela paralisa.
É o que sobra quando o fôlego escapa do pó.
E o humano, sem fôlego, é só isso: pó.
Na parte A do refrão, a música traz a causa da ruptura:
Foi um ato delinquente que desumanizou a gente.
O “des” tem origem.
Não nasceu no vácuo.
Foi provocado.
Encarnado.
Concretizado.
O mal também se faz carne.
Mas aí vem a contraposição.
Se o mal encarnou no ato delinquente
o bem encarnou na morte inocente.
E é ela
só ela
que pode curar o “des”.
Desfazer a fragmentação.
Costurar os pedaços.
Recolocar no lugar o que foi arrancado.
A canção termina com o contraste ent...
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