No papo com a craque Tatiana Coelho de Sampaio, emergiu um conflito que revela muito sobre os descaminhos da ciência brasileira.
Ao trilhar caminhos de pesquisa menos convencionais — e ao mesmo tempo viver a maternidade — ela ouviu que “nada explica sua baixa produtividade”.
A frase soa técnica, sóbria, quase elegante.
Mas carrega uma visão de mundo empobrecida.
Transformamos a ciência em uma grande engrenagem gerencial.
Confundimos produtividade com contagem de papers.
Rigor com conformidade metodológica.
Excelência com aderência a métricas burocráticas.
E, por vezes, pensamento com jargão afetado.
Importamos para a universidade uma racionalidade formalista que mede — mas não compreende.
Só que a inteligência que transforma um país não nasce apenas da repetição eficiente.
Ela nasce da pesquisa que amadurece, da coragem de explorar fronteiras, da jornada paciente que combina método, imaginação e experiência de vida.
A maternidade não é desvio.
A criatividade não é indisciplina.
S...
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