“Faça a sua obrigação.”
Quantas de nós já ouvimos isso com o coração gelando por dentro? Não como um pedido, mas como sentença. A frase vem seca, áspera, batendo na pele como porta fechada. E, de repente, a mulher deixa de ser gente e vira função: servir a mesa, servir a casa, servir o corpo, servir em silêncio.
Se cansa, é drama. Se chora, é fraqueza. Se pede carinho, é carência. Se pede fidelidade, é ciúme. Se diz não, vira culpada. Culpada pela raiva dele, pela traição dele, pela violência dele. Como se sobre os ombros dela tivesse que caber a casa inteira, os filhos, o medo, a paz de todo mundo e, ainda assim, um sorriso limpo no rosto.
Muitas mulheres vivem assim: com a alma em pé na cozinha e o peito ajoelhado no medo. Trabalham fora, cuidam de dentro, sustentam o invisível, engolem o choro entre uma tarefa e outra, enquanto alguém chama de “obrigação” a própria anulação.
Mas isso não é amor. Não é casamento. Não é parceria. Quando uma mulher é reduzida ao que entrega, ao que...
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