🔑 Um Cântico na Agonia
Há algo desconcertante na cena descrita pelos evangelhos. Na noite mais sombria da história, enquanto a traição já respirava no mesmo ambiente, Jesus parte o pão, dá graças e canta.
O texto de Evangelho de Mateus 26:26-30 nos diz que, após a ceia, “tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras”. Não era ignorância. Não era ingenuidade. Ele sabia. Sabia de Judas. Sabia de Pedro. Sabia do Sinédrio. Sabia da cruz.
Mesmo assim, canta.
O pão partido não foi surpresa; foi entrega. O cálice não foi acidente; foi aliança. Como já anunciara o profeta em Livro de Isaías 53, Ele seria moído pelas nossas transgressões. E, ainda assim, antes de ser moído, Ele canta.
Nós, quando pressentimos a dor, nos calamos. Quando antevemos a perda, nos revoltamos. Quando percebemos a injustiça, murmuramos. Mas o Cristo, na iminência da agonia, entoa um cântico.
Provavelmente cantou os Salmos do Hallel, celebrando a fidelidade de Deus enquanto caminhava para o Getsêmani. ...
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