Se a dor do outro não te dói, sua fé está doente.
Há algo profundamente errado quando a dor do outro já não nos comove. Quando o choro alheio se torna apenas ruído de fundo e a miséria do próximo não atravessa a muralha do nosso conforto, o enfermo da história talvez não seja quem sofre — mas quem observa.
Jesus Cristo contou uma parábola perturbadora em Evangelho de Mateus 18: um súdito devia ao rei uma quantia impagável. A dívida era tão absurda que só um milagre administrativo poderia resolvê-la. E houve milagre: o rei perdoou tudo. Cancelou o impossível. Rasgou o escrito de dívida.
Mas o mesmo homem, alcançado pela misericórdia, saiu dali e encontrou um conservo que lhe devia centavos. Agarrou-o pelo pescoço. Exigiu até o último tostão. Não houve memória da graça recebida, nem eco da compaixão experimentada.
É aqui que a parábola deixa de ser história e se torna espelho.
Altruísmo cristão não é filantropia eventual; é consciência permanente de que fomos perdoados de uma dívida ...
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