Quem somos nós? Os que se assentam a mesa ou os que se rendem aos pés?
Na casa de Simão, o fariseu, onde a religião tinha protocolo, mas não tinha lágrimas, entrou uma mulher sem nome — e por isso mesmo representando todos nós. O texto de Evangelho de Lucas 7 não registra sua biografia, apenas sua fama: pecadora. Era o rótulo que a cidade lhe dera. Mas naquela noite, ela decidiu que seu passado não teria a última palavra.
Enquanto os convidados discutiam teologia à mesa, ela ajoelhou-se aos pés de Jesus Cristo. Não trouxe argumentos, trouxe lágrimas. Não apresentou defesa, apresentou adoração. Seus cabelos — outrora instrumento de vaidade — tornaram-se toalha. Seu perfume — caro e escandaloso — tornou-se oferta. E o que a religião não compreendia, a graça acolhia.
As críticas vieram como sempre vêm. Olhares atravessados. Sussurros farisaicos. A lógica fria de quem mede a espiritualidade alheia com régua própria. Em outra ocasião semelhante, a voz da censura ganhou nome: Judas Iscar...
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