“Quem me tocou? Uma imunda? Não.”
Ela não tinha nome na cidade. Tinha um rótulo: Imunda.
Doze anos de sangue. Doze anos de vergonha. Doze anos de portas fechadas, olhares atravessados, mãos puxadas para trás quando ela se aproximava. A Lei a empurrava para fora, a religião a mantinha à distância, e a sociedade a condenava sem julgamento.
Ela tentou de tudo. Gastou tudo.
Pagou médicos, promessas, remédios, receitas, simpatias. E quanto mais pagava, mais sofria. Porque há dores que não são apenas físicas: são sociais. São espirituais. São dores que fazem a pessoa se sentir culpada por existir.
E então ela ouviu falar de Jesus.
Não como alguém que cura apenas… mas como alguém que acolhe.
Como alguém que não tem medo de tocar os intocáveis.
Como alguém que não se contamina com a nossa sujeira — mas nos purifica com Sua presença.
Ela não ousou pedir.
Ela não se achou digna de chamar.
Ela não tinha coragem de encarar.
Então ela decidiu furtar.
“Se eu apenas tocar na orla… eu serei cur...
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