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A religiosidade do templo e a espiritualidade da praça O Templo, com seu incenso e rituais, oferece o conforto do sagrado delimitado. É o lugar da ordem, onde Deus parece contido em paredes de pedra. Mas Jesus, o Verbo que se fez carne, compreendia que a glória de Deus tem pressa de ganhar as ruas. Ele ensinava no Templo, respeitando a herança, mas era na Praça que Ele revelava a pulsação do coração do Pai. Enquanto o sistema religioso se protegia do “impuro”, Jesus se expunha ao barulho. Na praça, o sagrado não usa luvas; ele toca a pele do leproso, divide a mesa com o publicano e chama pescadores — gente que cheira a mar, não a santuário — para fundar o Reino. A espiritualidade de Jesus não era de redoma, mas de poeira e encontro. O grande equívoco da religiosidade é acreditar que o altar é o destino final. Na verdade, o altar é apenas o ponto de partida. Uma fé que se recusa a descer os degraus da instituição e caminhar pelo asfalto torna-se estéril, um monólogo de ecos vazios....

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