Ela não morreu só no dia em que ele a matou. Ela começou a morrer quando aprendeu, ainda menina, que amor também vinha com medo.
Quando uma mulher é morta por um homem que dizia amá-la, a história quase nunca começa no último dia. Ela costuma começar muito antes, numa infância em que o amor vinha misturado com tensão, silêncio e medo. Numa casa em que bastava alguém se irritar para todo mundo se encolher. Numa rotina em que ficar quieta parecia a única forma de sobreviver.
Uma menina que cresce assim não leva só lembranças difíceis para a vida adulta. Ela leva um aprendizado emocional profundo: o de que amar pode doer, o de que vínculo pode assustar, o de que, para não perder o outro, talvez seja preciso ceder, suportar e se calar.
É por isso que, mais tarde, muita coisa grave não parece grave logo no começo. O controle pode parecer cuidado. O ciúme pode parecer proteção. A imposição pode parecer força. E, para quem cresceu tentando encontrar segurança dentro do medo, isso tudo pode...
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