Ao criar esse cenário da crucificação, eu não consegui pensar apenas na dor de Jesus. Pensei também na nossa dor, naquilo que a gente quase nunca consegue explicar, mas sente com força nos dias em que o coração pesa, a oração embarga e o silêncio parece maior do que a nossa fé.
A cruz sempre me confronta porque ela não mostra um Deus distante do sofrimento humano. Ela mostra um Deus que entrou nele. Jesus foi ferido, humilhado, rejeitado e atravessado pela crueldade dos homens, mas mesmo ali, no centro da dor, continuou revelando amor. Enquanto o mundo devolvia violência, Ele devolvia perdão. Enquanto feriam Seu corpo, Seu coração permanecia aberto.
E talvez seja isso que mais toca em mim: perceber que até no cenário mais escuro, Deus não estava ausente. A dor era real, o peso era real, o sofrimento era real, mas a presença dEle também era. O silêncio daquele momento nunca significou abandono. E essa é uma lembrança que eu acho que a gente precisa carregar para além da Páscoa, porque...
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