Transferência, na psicanálise, não é um detalhe do processo. É o próprio campo onde o inconsciente aparece em ato.
O paciente não se relaciona com o analista de forma neutra. Ele atualiza ali vínculos antigos, repete padrões, revive afetos que não foram elaborados. Não é sobre o analista em si, é sobre o que ele passa a representar. Um pai que faltou, uma mãe que cobrou, alguém que abandonou ou que nunca escutou de verdade.
Isso muda a lógica da escuta. O que está em jogo não é só o que a pessoa conta, mas como ela se posiciona na relação. Idealiza, rejeita, testa limites, busca aprovação. Tudo isso fala. E fala alto.
Ignorar a transferência é perder o principal material clínico. Mas também tem um risco aqui: confundir acolhimento com atuação. Se o analista responde diretamente à demanda afetiva do paciente, ele entra no jogo e reforça o sintoma, em vez de analisá-lo.
Trabalhar com transferência exige sustentar um lugar. Nem frio, nem cúmplice. Um lugar que permita que o sujeito ve...
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