Talvez essa seja uma das partes mais difíceis de entender sobre a infidelidade: às vezes, a pessoa não trai porque parou de sentir. Ela trai justamente quando começa a sentir demais.
Quando o vínculo começa a ficar real, quando o outro se aproxima, quando existe cuidado, presença e possibilidade de entrega, algo dentro dessa pessoa pode entrar em alerta. Por fora, parece frieza, falta de caráter ou simples busca por prazer. Mas, por dentro, muitas vezes existe um medo enorme de ser vista de verdade, de depender, de não ser suficiente, de ser abandonada depois de finalmente se entregar.
E aí acontece uma coisa silenciosa: em vez de sustentar a intimidade, a pessoa procura uma saída. Um flerte, uma conversa escondida, uma validação fora da relação, uma sensação de controle. Não necessariamente porque aquela outra pessoa importa tanto, mas porque o alívio importa. Porque naquele momento o cérebro entende aquilo como uma forma rápida de escapar do desconforto.
Só que o alívio passa. E d...
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