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Tem uma dor que quase ninguém nomeia: a de olhar para a própria vida e perceber que, enquanto cuidava de tudo e de todos, uma parte de si foi ficando para depois. Não foi falta de amor. Pelo contrário. Muitas vezes foi amor demais, entrega demais, presença demais. Foi abrir mão de projetos, horários, liberdade, carreira, descanso e até da própria identidade para garantir que um filho tivesse colo, rotina, afeto e alguém por perto. Só que nem sempre essa escolha é vista. Quase nunca é aplaudida. O mundo aprendeu a chamar de sucesso a mulher que produz, conquista, ganha, aparece. Mas raramente sabe honrar a mulher que sustenta o invisível dentro de uma casa. E talvez doa justamente por isso: porque cuidar também é trabalho, presença também constrói futuro, e criar uma criança emocionalmente amparada talvez seja uma das formas mais profundas de deixar uma marca no mundo. Mas aqui também existe uma verdade delicada: nenhuma mulher deveria precisar desaparecer para ser uma boa mãe. Nenh...

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