O espanto acontece quando o véu do hábito cai e a vida aparece como se fosse a primeira vez.
O belo abre uma fresta para um excesso de sentido
que o cotidiano costuma esconder, um “mar de significados” que estava ali o tempo todo.
No rosto da esposa, no sorriso da filha, na comida de vó, num salgueiro-chorão, num cajueiro perfumado. No paladar.
É a intuição sacramental de que o ordinário é mais do que parece. E isso não é conquistado. É recebido.
Semana passada, conversei com um pastor sobre essas janelas de encanto que se abrem no cotidiano e enchem nossos olhos de frescor.
No dia seguinte, ele viu a vida inteira num helicóptero de brinquedo deixado pelo filho no chão da sala, depois de brincar o dia todo. Despertou para a sacralidade da vida e da paternidade.
Comoveu-se de um jeito raro ao perceber que a esposa havia deixado uma pequena luz acesa para que ele não tropeçasse ao chegar de noite. Os olhos experimentaram o assombro dos poetas.
Tocado, foi incapaz de suportar ...
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