O que as janelas não contam
O Dia das Mães costuma chegar envolto em uma aura de idealização que, muitas vezes, silencia as complexidades do real. Como psicanalista, olho para esta imagem e vejo não apenas janelas, mas a topografia do psiquismo em uma data que convoca o nosso primeiro vínculo com o Outro.
A mãe é a nossa primeira morada, mas essa relação é, por natureza, marcada pela ambivalência: entre o amor e a falta, entre a presença que acolhe e a ausência que nos constitui. Cada janela aqui ilustrada é um testemunho de uma vivência singular:
• O Trabalho do Luto: Para quem lida com a perda — seja de um filho ou da própria mãe — o calendário impõe um esforço psíquico de reinvestir a vida onde a falta se faz presente.
• O Real da Maternidade: O pós-parto difícil e a perda gestacional nos lembram que a maternidade não é um instinto romântico, mas um processo atravessado por dores e desamparos que o social raramente valida.
• A Distância e o Silêncio: Janelas que falam de mães solo, ...
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