A psicanálise do desejo e da rejeição
A mulher samaritana é o retrato de muitas mulheres que buscam nos relacionamentos amorosos uma
fonte para sua identidade e valor. O fato de ela ter tido cinco maridos e estar, no momento, com um
homem que não era seu esposo, revela não apenas promiscuidade, como alguns apressadamente concluem, mas uma história de perdas, desilusões e possivelmente abusos emocionais ou institucionais.
Na linguagem da psicanálise, podemos falar de um "objeto perdido" que se busca incansavelmente. A mulher do poço, como tantas outras, procurava
preencher um vazio através de vínculos, mas nenhum deles saciava a sede mais profunda da alma. A repetição – conceito central na teoria
freudiana – aparece aqui como entativa inconsciente de reencenar o trauma na esperança de um desfecho
diferente.
Ao falar com Jesus, ela rompe com o ciclo da repetição. Ele não se torna mais um homem a usá-la, mas Aquele que a olha com verdade e ternura. O
olhar de Jesus rompe com o olhar moral...
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