Ele não viu o salto.
A foto mais famosa de Henri Cartier-Bresson — o homem saltando sobre a poça em Saint-Lazare, 1932 — foi tirada às cegas, por uma fresta numa cerca de madeira.
O fotógrafo do instante decisivo não estava presente no seu instante mais decisivo.
Isso não o diminui. Revela algo mais interessante: fotografia nunca foi sobre controle. É sobre discernimento — saber reconhecer a imagem quando ela aparece. Não antes.
Escrevi um texto ótimo sobre esse paradoxo, sobre William Klein e Daido Moriyama como contraponto necessário, sobre a crise da curadoria, e sobre o que a IA tem a ver com tudo isso.
Spoiler: pode ser um alívio inesperado.
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