Tenho uma confissão para fazer:
Sabia que eu fico analisando as pálpebras de todos mundo?
É um tormento, mas é maior que eu.
Não consigo mais olhar para um rosto sem analisar pálpebras. São 30 anos repetindo o mesmo gesto.
Hoje, meu cérebro faz isso no automático.
Eu vejo a assimetria que você não nota.
Eu vejo o excesso de pele que pesa no seu dia a dia.
Eu vejo o rejuvenescimento antes mesmo da primeira incisão.
Eu não consigo desligar mais.
Observo pálpebras no restaurante, no aeroporto, na fila do supermercado, em qualquer lugar.
E a situação ficou tão séria que às vezes eu sonho com pálpebras de pessoas que nunca vi na vida.
Já me peguei sonhando que estava operando pacientes que simplesmente não existem.
Acho que chega um momento em que a profissão deixa de ser o que você faz e passa a ser parte de quem você é.
Talvez seja isso: Três décadas refinando olhares para que, no momento da uma cirurgia, cada milímetro seja planejado com a segurança de quem já viu milhares d...
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