Liberdade sem responsabilidade não é liberdade. É infantilidade.
Essa cena de Fargo traz uma provocação poderosa: quando ele reivindica o direito de viver como quiser, sem prestar contas e sem assumir consequências, ela responde que existe alguém que pode viver assim: um bebê.
E talvez esse seja um dos grandes conflitos da vida adulta.
Queremos a liberdade de escolher, mas nem sempre queremos o peso das escolhas. Queremos autonomia, mas resistimos às consequências. Queremos prazer, mas rejeitamos os limites.
Na perspectiva psicanalítica, amadurecer passa justamente pela capacidade de compreender que nem todo desejo pode ser satisfeito, nem toda frustração pode ser evitada e toda escolha implica alguma renúncia.
Ser adulto não é deixar de desejar.
É conseguir dizer:
“Eu escolhi. Portanto, eu sustento as consequências da minha escolha.”
Cristian Moreira
Psicanalista Clínico
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