“Desafinar o coro dos contentes.”
A frase de Torquato Neto, eternizada em Let’s Play That, me faz pensar em algo que a gente parece esquecer: a vida também precisa de espaço para o improviso.
Nem tudo precisa dar certo.
Nem tudo precisa ser produtivo.
Nem todo passo precisa ser calculado.
Às vezes, é preciso correr o risco de errar, brincar um pouco mais, experimentar, desejar — e até desafinar.
Psicanaliticamente falando, talvez seja permitir que o Id floresça um pouco, que o Ego faça a mediação e que, de vez em quando, a gente abaixe o volume desse Superego que vive dizendo:
“Você tem que…”
“Você deveria…”
“Isso não pode…”
“O que vão pensar?”
Uma vida excessivamente vigiada pode até parecer correta. Mas corre o risco de deixar de ser viva.
Então, de vez em quando, desafine o coro dos contentes.
Brinque. Arrisque. Deseje. Erre.
Talvez exista uma parte muito verdadeira de você justamente fora do tom.
E se o seu Superego anda falando alto demais, a análise pode ser um espaço par...
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