Proibir o aborto não faz ele acontecer menos: os dados mostram que a quantidade é praticamente igual onde é proibido e onde é livre. O que muda é quem faz com segurança e quem arrisca a vida. Feito com acompanhamento médico, é mais seguro. Mas no improviso, o risco de morte é centenas de vezes maior. E quem é empurrada pra esse risco é sempre quem não tem dinheiro pra pagar pelo procedimento seguro.
E tem mais uma camada: o Brasil até permite o aborto legal em três casos: risco de vida da gestante, gravidez por estupro e feto anencéfalo. Só que, na prática, a mulher pobre quase não acessa nem esse aborto a que tem direito por lei: são poucos os serviços habilitados, há recusa de médicos e casos que acabam parando na Justiça. Ou seja, não é só a clandestinidade que mata, é que até o direito que existe no papel não chega até ela.
Fonte:
Nações Unidas, Brasil. Taxas de aborto em países desenvolvidos caem mais que nos países em desenvolvimento.
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