Você continua trabalhando, respondendo mensagens, resolvendo o que precisa. Por fora, a vida ainda parece reconhecível. Por dentro, porém, o horizonte encolheu.
É assim que alguns vales começam.
Não chegam com placas. Chegam quando uma perda, um exame, uma conta, uma despedida ou o acúmulo de cansaços faz o agora parecer a história inteira.
O Capítulo 6 de “Ansiedade tem Cura?” começa justamente corrigindo essa percepção: o vale pode diminuir o que você consegue enxergar sem ter o direito de definir quem você é ou onde sua história termina.
Por isso Salmos não diz que a luz elimina o vale. A luz muda a maneira como caminhamos nele. Você pode não enxergar longe e, ainda assim, não estar perdido.
Isaías acrescenta outro verbo importante: atravessar.
Não acampar. Não fingir que o terreno não existe. Atravessar com companhia.
É nesse ponto que surge a mesa.
Não uma festa que nega a dor, mas sinais de sustento dentro dela: pão para hoje, uma voz amiga, um abraço sem cobrança, corage...